11h30

Entrevista com o professor de Direito da Unijorge, Marcelo Timbó.

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Professor do nosso curso de Graduação Presencial em Direito, de diferentes cursos da nossa graduação EAD, músico conhecido da cena soteropolitana, ator e locutor: em todas as suas áreas de atuação, Marcelo Timbó dá um exemplo de dedicação, profissionalismo e simpatia. Confira a entrevista que fizemos com nosso professor sobre sua formação, seu trabalho na Unijorge e sua vida fora da universidade.
 
Professor, qual a sua formação acadêmica?
Sou bacharel em Direito (UFBA - 2001) e Mestre em Direito (UFBA - 2011).
 
Quando decidiu estudar Direito e quais foram as suas motivações?
Na verdade, escolhi Direito um pouco "no escuro". Sempre fui bom aluno, então havia uma expectativa minha, da família e dos amigos, de que eu fizesse algum curso tradicional, como Medicina, Direito ou Engenharia. Meu irmão (gêmeo) Alessandro, fez a escolha por medicina, então resolvi arriscar Direito. Adorei o curso de Direito. Direito é o dia-a-dia. Praticamente todas as nossas relações em sociedade são regidas pelo Direito. O Direito está num simples chiclete que compramos na cantina pela amanhã ou em acontecimentos mais importantes, como a morte ou o nascimento de uma pessoa. Onde há relação humana há Direito. Mas, como venho de uma família de gente envolvida com a educação, formada por muitos professores, acabei unindo as duas vertentes, Direito e a vida como Docente. 
 
Quais disciplinas leciona atualmente na Unijorge?
Ensino Direito Civil (Teoria Geral), Direito da Propriedade Intelectual, Direito Aplicado à Gestão e Direito dos Consumidor.
 
O que lhe motivou a ser professor?
Foi um caminho natural. Minha avó foi professora. Minhas tias são professoras. Minha mãe é formada em Pedagogia, apesar de não ter encarado a sala de aula. Desde pequeno, eu me juntava com meus amigos para estudarmos para as provas, só que, na verdade, eu acabava dando uma espécie de banca para eles porque eu gostava de estudar antes o assunto e já chegar para as sessões de estudo com os assuntos na cabeça. Nunca fui um "nerd" (risos), eu sentava no fundo da sala, mas sempre estudava com um prazer enorme. Estes encontros com os amigos para estudar acabavam virando uma revisão para mim, onde eu aprendia mais ainda, porque ensinar é a melhor forma de aprender. Foram minhas primeiras experiências como professor. Então, quando me formei em Direito, a única atividade em que eu tinha certeza de que iria trabalhar era como Professor de Direito. Não sabia se iria advogar, se faria concurso para ser Promotor ou Juiz, só sabia que iria dar aulas. 
 
Como é sua relação com seus alunos?
Eu tento ser uma experiência única na vida deles (risos). Tento me relacionar de um modo humano, me tornar um amigo, pois serão meus colegas de profissão em breve. Estamos aprendendo juntos. Eu só estou guiando os trabalhos, mas o aprendizado é nosso. O que almejo nessa relação é chegar ao final do semestre e ouvir de alguns deles: "Professor, essa foi uma das melhores disciplinas do meu curso", ou "semestre que vem, venho assistir algumas aulas novamente com você". Isso me deixa muito satisfeito e realizado, pois o professor deve, acima de tudo, servir como um estímulo de aproximação do aluno com o conhecimento.
 
Quais foram as principais dificuldades encontradas em sua experiência profissional?
O nível de comprometimento dos alunos com os estudos está diminuindo. Isto é uma dificuldade, talvez a maior. As pessoas estão lendo pouco. Lendo pouco você não saberá escrever bem. Em qualquer área você precisa escrever bem, expressar suas ideias com clareza e correção. Seja um engenheiro, advogado, veterinário ou tecnólogo, você precisa se dedicar ao conhecimento e isso passa, basicamente, pela leitura. Muitos alunos chegam ao curso de nível superior sem saber se expressar através da linguagem escrita e isso é falta de leitura, repita-se. Temos que ler livros. Hoje estamos lendo apenas "páginas de redes sociais" ou resumos de internet. Na academia, precisamos ir além. Só que "ir além" começa com a consciência do aluno, sem a qual o professor se encontrará diante de uma grande dificuldade. 
 
Qual conselho você daria aos jovens profissionais que estão dando os primeiros passos na construção de suas carreiras?
Leia bastante. Dedique-se uma hora a mais, todos os dias. Não pare. Faça boas amizades, relacionamentos profissionais. Procure saber como é a prática, o mais rápido possível. Pergunte a um amigo, que já seja profissional da área, se você pode acompanhar o trabalho dele em uma tarde. Não tenha ansiedade na escolha profissional, pois você pode mudar de ideia mais à frente. A mudança é saudável. Quanto melhor for a condição em que você quer se encontrar um dia, mais você vai ter que investir agora. Investir tempo e dinheiro, não tem jeito. Se não tem dinheiro, então dobre o investimento de tempo no que você quer fazer. Tempo, todos nós temos.
 
 
Você é músico profissional e tem uma banda bem conhecida dos jovens baianos, a Batifun. Como surgiu seu interesse pela música?
 
Acho que a música surgiu como a vida acadêmica: desde mais novo, por acaso. Meu avô tocava violão e gaita. Quando eu tinha 7 anos escrevi um conto, chamado "O macaco feliz". Ganhei o concurso da minha escola e "O macaco feliz" virou um livrinho. Já era escritor publicado com 7 anos (risos). Meu pai ensinou-me muito sobre artes plásticas, desenhos, técnicas de ampliação e coloração. Minha avó era professora de artes. Já adolescente, nas gincanas do Colégio Anchieta, quando havia alguma apresentação para ser produzida eu me encarregava de dirigir, fazer o cenário, figurino, roteiro, trilha sonora e ainda interpretava os personagens que combinavam comigo. Sempre "me senti" uma espécie de artista.
 
A música entrou na minha vida como expressão artística um pouco depois. Ganhei meu primeiro violão de minha tia Ligia aos 16 anos e ele virou meu melhor amigo até hoje. Entrei para a faculdade de Direito e não pensava a música em termos profissionais. Mas na própria faculdade de Direito acontecia um evento chamado "Bar Cultural", todas as quintas, onde se apresentavam bandas dos alunos ou de amigos dos alunos. Uma vez chamei meu irmão e um grupo de amigos que gostavam de sambas para a gente fazer um "Batifun" lá no Bar Cultural da Faculdade de Direito da UFBa. Deu certo demais!
 
Tem algum outro projeto pessoal, além da Batifun, que deseje compartilhar conosco?
Quando me formei em Direito, fui estudar teatro também na UFBa (Curso Livre de Teatro da UFBa, que super recomendo). Mais tarde fiz trabalhos como ator também, atividade que gosto demais. No teatro, participei da montagem do musical "Os Cafajestes", com direção de Fernando Guerreiro e texto de Aninha Franco. Na Tv, participei da minissérie "O canto da Sereia", na Tv Globo. Enfim, gosto de atuar. 
 
Na música, além do Batifun, eu faço algumas apresentações solo, onde toco músicas autorais e faço releituras de coisas que eu gosto da MPB. Já lancei um disco solo, chamado "Seja Bem-vindo", que tem algumas músicas que tocam nas rádios do segmento de MPB aqui em Salvador. 
  
 
Percebe habilidades, suas, que sejam úteis simultaneamente ao exercício das suas duas profissões?
Todo professor é um artista. Todo artista é um professor. Há um palco, uma mensagem, uma plateia, tem dias em que o show é lindo, tem dias em que a aula não é tão boa. São atividades muito parecidas, porque servem a um propósito em comum que é a educação. A Arte (e o Esporte) é (são) educação de primeira! As pessoas precisam perceber isso. Então, todas as "habilidades" boas para a música, por exemplo, o ritmo, a voz, a fé cênica, são muitos úteis para a sala de aula, e vice-versa, não tenha dúvida. O artista precisa ter algum conteúdo.
 
Acho que tenho uma boa voz e o professor precisa disso. Sou locutor também, já tive programas de rádio que me ensinaram muito sobre comunicação com o público.  
 
Planos futuros nessa área?
Gostaria de um dia participar de algum filme. Vamos realizar este sonho mais cedo ou mais tarde! Outra atividade que sei que vou fazer um dia: pintar quadros. Mais para frente...
 
Digamos que você não esteja lecionando ou atuando como músico: o que você faz em seus horários livres?
Esporte, um jantar acompanhado de um bom vinho ou aproveito para dormir mesmo... 
 
Você é mais “família” ou normalmente está mais ligado aos amigos?
Devo ser mais família. Não sei te dizer isso... Tenho muitas amizades de mais de 20 anos. Vou empatar essa pergunta. 
 
Qual sua relação com mídias sociais? Tem uma página, costuma interagir com seus seguidores?
Não tenho whatsapp. Não gosto. Alimento uma página no Facebook sobre a carreira artística ou dicas de alguma coisa interessante no mundo jurídico e respondo a todos por lá. Atualmente, a mídia social que mais gosto é o Instagram. Acho que é a menos invasiva e ele é mais voltado para a fotografia, outra coisa que gosto muito. Meu insta é o @marcelotimbo. A página do FB é a facebook/marcelotimbo.
 
Alguma mensagem importante (sobre a vida, o universo e tudo o mais) que queira compartilhar com nossos alunos?
 
Só o conhecimento nos liberta de verdade. Que ser livre? Então, mãos à obra!
 
(Fotos: Arquivo pessoal)
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