17h18

Entrevista com o professor Leonardo Bião, coordenador do NUPRAC e da Rádio JA

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Desde 2012, Leonardo Bião é professor dos cursos de Comunicação e Produção Audiovisual da Unijorge. Coordena também o NUPRAC, nosso Núcleo de Práticas Comunicacionais, e a Rádio JA, nossa rádio universitária.Além disso, participa também de um grupo de pesquisa sobre cinema musical na América Latina, em parceria com a UFBA. Confira abaixo a entrevista!
 

UJ: Como é a atuação dos alunos na Rádio JA e no Nuprac? É preciso estar cursando uma disciplina específica?
 
LB: Antes, só podiam participar alunos a partir do terceiro semestre. Mas, no ano passado, resolvemos fazer um experimento retirando os pré-requisitos de disciplinas obrigatórias e permitindo que estudantes pudessem integrar a equipe a partir do primeiro semestre. Funcionou muito bem! Hoje, trabalhamos com “gerações”, tanto no NUPRAC quanto na Rádio. As inscrições começam sempre em março e os trabalhos em abril, se estendendo por um ano. Ao fim desse período, muda a geração e os participantes veteranos treinam a nova equipe – e o conhecimento vai se renovando e se fortalecendo.
 
UJ: Em sua opinião, qual o grande diferencial da Unijorge?
 
LB: Eu destacaria elementos estruturais, mas, sobretudo, de formação. A estrutura é muito superior àquilo que temos no mercado. A ilha de edição, as câmeras disponíveis para uso pelos alunos, o apoio dos laboratórios, os estúdios de áudio e vídeo, a estrutura é muito boa. Mas o grande diferencial transcende isso. O mais importante é que o aluno está imerso no campo da comunicação desde o inicio. Ter acesso a um núcleo de extensão que se relacione com sua futura formação, com aquilo que você escolheu para sua vida. Ter uma grade curricular e docentes preocupados com sua formação humanística. Ter teoria e prática caminhando juntas, conectadas com as transformações que estão acontecendo o tempo inteiro na nossa área. Aqui na Unijorge nós formamos profissionais capacitados pra lidar com as mudanças na área e preocupados com sua profissão, com seu ser profissional, seu lado humano, profissionais preparados para trabalhar com pessoas. Aqui nós formamos seres humanos, e não máquinas. Profissionais tecnicamente capacitados, mas numa formação humanística que lhes prepara para a vida.
 
 
UJ: Algum aluno cuja história tenha chamado sua atenção em especial?
 
LB: Todos os alunos são especiais, cada um deixa uma marca, algo que lhe diferencie. Mas recentemente tive uma experiência única, ao receber em minha turma de fotografia um estudante com deficiência visual, o Marcelo Moita. Imagine o desafio que nós tivemos, de repensar toda a metodologia de ensino de uma disciplina essencialmente visual, sem destoar do conteúdo – que é para todos. Pesquisei muito sobre o assunto e nós, eu e o Marcelo, fomos traçando juntos uma metodologia que englobava o aprendizado técnico e a descrição textual de tudo que víamos como imagem. Todas as fotos exibidas em classe eram descritas textualmente para que ele participasse das análises conosco. Seu desenvolvimento como aluno foi totalmente dentro do esperado, tanto em termos conceituais quanto em conhecimentos sobre a técnica. Hoje ele é estagiário na Rádio JA, onde tem total autonomia (produz ele mesmo os programas, convida pessoas que fazem participações especiais, trabalha pautas etc).
 
Mas além da história do Marcelo, posso dizer que todos os estudantes que trabalham comigo nos núcleos de extensão (alunos de Publicidade e Propaganda, Jornalismo e Produção Audiovisual) são muito parceiros, comprometidos. Nós trabalhamos essa metodologia da autonomia, dando espaço para que eles se desenvolvam, e o resultado tem sido genial. Percebemos que essa dedicação acaba refletindo tanto na qualidade das produções dos núcleos quanto no crescimento individual de cada aluno em outras disciplinas no contexto acadêmico.
 
 
UJ: Você sempre quis ser professor? O que lhe levou para a área acadêmica?
 
LB: Eu sempre fui aquele garoto que ensinava os colegas que não sabiam a lição. Eu dava banca, alguns amigos iam estudar comigo, sempre tive essa aproximação, esse gosto pelo ensino.
 
Eu estudei em Ilhéus, na Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), no curso de Rádio e TV. Fui aluno da iniciação científica por dois anos, com duas pesquisas dentro da área de cinema, e ao mesmo tempo sempre fui muito interessado pelos núcleos de extensão e produções mais práticas. Fui estagiário da TV universitária de lá, e acabei como um dos produtores responsáveis pela produção de conteúdo para o Canal Futura, que é parceira da instituição. Essas sempre foram preferências muito claras para mim, pela produção de conteúdo educativo e pela docência, por entender que eu poderia fazer muito pela Comunicação através do ensino.
 
Fiz mestrado em Letras, Linguagens e Representações, tratando do cinema brasileiro de pós-retomada, mais especificamente das representações sertanejas no cinema. Agora estou flertando com o doutorado, porque você sabe que o aprendizado é um vício, a gente não consegue ficar muito tempo longe. Se bem que eu ainda tenho 29 anos, sou novo (risos). Muito provavelmente meu doutorado será na área de Educação. Minhas duas paixões são a Comunicação e o Ensino; como o Mestrado foi na área da linguagem cinematográfica, nada mais justo que meu próximo passo seja dedicado à Educação, que esteve comigo a minha vida inteira.
 
Além do mundo acadêmico, sempre trabalhei também com produção de eventos relacionados a cinema e comunicação. Desde 2011, atuo com a produção do Festival de Cinema Baiano (em Ilhéus e mais recentemente em outras cidades) e em 2012 ingressei na equipe da Assessoria de Comunicação da Secult (Secretaria de Cultura do Estado) como coordenador de produção e Publicidade, onde fiquei até 2014 e desde então, tenho dedicação exclusiva à docência e aos nossos Núcleos de Extensão.
 
 
UJ: O que faz seus olhos brilharem no trabalho?
 
LB: Fico muito feliz e extremamente realizado ao ver os estudantes produzindo nos dois núcleos que coordeno hoje. Ver a evolução, o gosto por cada etapa, vê-los se tornarem profissionais mais completos a cada dia. Talvez porque eu também fui esse aluno. Eu, quando estudante, me dedicava aos núcleos de extensão – e acredito demais na extensão como uma porta mais próxima do mercado de trabalho.
 
Além disso, tem o ensino em sala de aula. Colaborar para a formação de outras pessoas, participar das suas descobertas, isso não tem preço. É o meu propósito. É o que me faz acordar todos os dias motivado a vir trabalhar.
 
 
UJ: O que você faz quando não está na Unijorge? Tem algum hobby?
 
LB: Gosto de assistir séries, como Game of Thrones, Orange is the new black, House of Cards, The Walking Dead, The Middle, Big Bang Theory entre outras tantas. Também vou muito ao cinema. Não só por entretenimento, mas também por que são referências que posso levar para a sala de aula. São linguagens diferentes, outras formas de entender o produto audiovisual. Tudo se reverte em conteúdo. Também gosto muito de receber pessoas em minha casa, visitar amigos, cozinhar, viajar (embora viaje menos do que eu gostaria). Em resumo, acho que é isso: filmes, séries, pessoas.
 
 
UJ: Alguma mensagem importante que queira compartilhar com os nossos alunos?
 
LB: Acreditem na formação, dediquem-se a ela. Por conta da correria do dia a dia, vocês podem acabar entendendo a educação como parte do processo pra obter o diploma, mas transcendam esse pensamento. Vocês passam anos aqui, dentro da academia, aproveitem o que a instituição tem a oferecer. Aproveitem a formação, ouçam seus professores, colaborem, formem diálogos com a comunidade acadêmica. Não passem por aqui à toa. Vocês escolheram viver a universidade por um motivo, então aproveitem esse tempo para se tornarem pessoas melhores, profissionais mais competentes, engajados, preocupados com o mundo, com as pessoas, com o meio ambiente e, acima de tudo, com vocês mesmos. Deem a si mesmos essa oportunidade de serem melhores no futuro.
 
Se comprometam, estudem, vivam - e não vivam somente o básico. Vivam a academia em sua plenitude pra que vocês se formem mais completos e mais comprometidos com o mundo e com vocês mesmos.
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