16h23

Educação superior como motor de empoderamento do negro

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Levar a transformação de vida conseguida graças ao ingresso no ensino superior faz de Rodrigo Menezes um exemplo de como o acesso à faculdade é relevante na hora de abordar meios de empoderamento do negro. Aluno do 2º semestre do curso de Educação Física na Unijorge, Rodrigo é um exemplo disso. Há mais de dez anos ensina capoeira, xadrez, artesanato, percussão além de cidadania e consciência negra no bairro onde mora, Vale do Matatu. Há um ano, iniciou o treino funcional na praia e, com o intuito de se especializar, decidiu cursar educação física.
 
“Eu sempre gostei de ensinar o que aprendia e busco fazer isso da melhor forma possível, sempre procurando me envolver principalmente em comunidades periféricas”, explica o estudante. Em 2016, ele ainda teve outra conquista: foi escolhido para carregar a Tocha Olímpica na passagem por Salvador, em maio. “Foi uma oportunidade de dar maior visibilidade aos projetos sociais que desenvolvo, além de ser uma forma de mostrar para a minha comunidade que todos são capazes de fazer a diferença”, revela o estudante.
 
Efeito cascata
 
O professor do curso de História da Unijorge, Clíssio Santana, reforça a importância do exemplo. “Ver negros ocupando espaços da sociedade mostra para os demais que é possível. Causa uma espécie de efeito cascata”. Ele ressalta que a mudança positiva vai muito além da esfera educacional. “É um empoderamento econômico, político e intelectual, que afeta toda a comunidade na qual a pessoa está inserida, impactando também as gerações futuras”.
 
Clíssio relata que a inserção de parcelas da população historicamente marginalizadas no processo educativo tem se intensificado nos últimos dez anos, principalmente devido a políticas públicas de incentivo, a exemplo das cotas nas universidades públicas e de programas como o FIES e o ProUni nas particulares. A Unijorge faz parte ativamente desse cenário. Em outubro deste ano, a instituição ficou em 1º lugar no Brasil no ranking geral da diversidade racial do ensino superior, de um total de 100 instituições, entre privadas e públicas, numa lista criada pelo site Quero Bolsa. O ranking avaliou as instituições com maior número de alunos com raça declarada, cuja nomenclatura segue padrão utilizado pelo MEC: parda, preta, branca, amarela e indígena. A Unijorge, líder do ranking, possui 44,4% de alunos autodeclarados de cor parda.
 
Para Guilherme Marback Neto, reitor da Unijorge, ter qualificação profissional é essencial para que a pessoa possa ter condições de alçar voos maiores. “Infelizmente, o preconceito existe, mas à medida que mais e mais estudantes, independentemente de sua origem, raça ou etnia, saiam formados e prontos para exercer a profissão de forma competente no mercado de trabalho, essa diversidade será encontrada também em outros lugares, além da instituição de ensino superior. Aqui, nós damos o suporte para o primeiro passo, e estamos orgulhosos em fazer parte dessa mudança”.
 
No que depender de Rodrigo, a mudança está apenas começando. “Tenho o sonho de transformar o meu bairro como Carlinhos Brown transformou o Candeal”, diz.
 
Sobre o ranking
 
Segundo o Censo da Educação Superior, divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o Brasil possui 7,3 milhões de pessoas cursando o ensino superior. Com base nesses dados, o site Quero Bolsa criou um ranking com as 100 instituições de ensino superior que possuem maior diversidade racial. As informações foram aplicadas em instituições de ensino com mais de 500 estudantes com raça/cor declarada. No ranking geral, o Centro Universitário Jorge Amado (Unijorge) aparece em 1º lugar.
 
De acordo com o site, o estudo teve como objetivo fazer parte da discussão das cotas raciais/sociais e a dificuldade que alguns grupos sociais têm em ingressar em cursos superiores. O site ainda classificou cada estado brasileiro de acordo com o índice médio de diversidade das instituições de ensino. A Bahia ficou em 12º lugar, e teve o maior desvio padrão do ranking, o que significa que o estado possui instituições com níveis de diversidade bastante discrepantes em relação à média geral.
 
Para conferir o estudo completo, acesse https://querobolsa.com.br/blog/diversidade-racial-nas-faculdades/
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